Será que os nossos Pais tinham razão?

Este novo tema era para ser novamente sobre o teletrabalho, agora com os milhares de trabalhos escolares que nos enviaram da escola que quase requerem recrutar uma equipa de trabalho multidisciplinar em full time mas vou passar. Talvez outro dia.

 

Quando somos uns jovens cheios de energia e vigor (éramos quer dizer) achamos que somos donos do mundo e que os nossos Pais são uma seca. Implicam com tudo o que fazemos, porque mexemos, porque derrubamos, porque queremos comprar tudo (com o dinheiro deles), porque comemos tudo, porque queremos sair à noite para a 24 de Julho e Bairro Alto ou até ir passar a passagem de ano ao Brasil com mil amigos e curtir até até às seis da manhã quando só temos 15 anos ou menos. Naquela altura pensávamos – “Fogo nunca me deixam fazer nada, que seca”.

Imaginamos o que vamos fazer quando formos mais crescidinhos, quando os nossos Pais já não mandarem tanto em nós. Queremos mais liberdade e que os nossos Pais nos deixem sair mais. Queremos ter +18 anos para “papar” todos os parques de campismo e festivais e fazer mil amigos. O pleno de qualquer jovem adulto. Bons tempos…

De repente acontece o inesperado. Crescemos e ficamos adultos (alguns de nós sim outros nem por isso). Acabamos o curso e começamos a trabalhar. Encontramos a cara metade, a nossa alma gémea com quem queremos, desejamos ter uma família (imagine-se). Desejo que se magnifica muitas vezes para mais que um filho. O verdadeiro país das maravilhas, com muitas aventuras mas sem a Alice, amplificado pelo Amor que nos une de forma inimaginável.

Pufff tudo muda. Temos o primeiro filho. Num minuto tornamo-nos muito pior do que recordamos dos nossos Pais. As enfermeiras podem tocar no nosso rebento só porque deixamos, os nossos irmãos agora Tios só com o mindinho e quem quiser dar beijinhos tem que lavar a cara primeiro com desinfetante com base de álcool. Os nossos Pais que nos trouxeram ao Mundo, e que cuidaram de nós (e ainda cuidam), que acumulam muita experiência pegam nos nossos filhos meio à balda e pensamos “não sei como é que sobrevivi à infância”. Ao fim de um dois anos já temos o cartão cliente platina das urgências de pelo menos dois hospitais e já conhecemos os Médicos pelos nomes e perguntamos pelos seus filhos. Talvez o exagero tome conta de nós mas não queremos saber, a responsabilidade é nossa e mais vale exagerar do que aligeirar.

Pensamos no futuro que há-de chegar, com sofrimento por antecipação. Um dia eles vão crescer e vão querer sair à rua com amigos e até sair à noite. Vão querer namorar, dar o primeiro beijinho e andar de mãos dadas. Provavelmente vão querer ir para à 24 de Julho e ao Bairro Alto ou até ir passar a passagem de ano para o Brasil com mil amigos e curtir até às seis da manhã. Onde é que eu já vi isto?

Esse dia chegou. Não há volta a dar. Eles estão a crescer e têm que evoluir para se tornarem cidadãos livres, tolerantes e responsáveis. Apetece dizer não a tudo e comprar uma casa no meio do mato de onde só se sai de helicóptero. Queremos saber tudo sobre os amigos, por onde andam, com quem falam e o que fazem quando não estão ao alcance da vista. Queremos controlar tudo mas… sabemos que não é a melhor forma de educar. Tudo isto culmina com o pensamento “O que os meus Pais sofreram!”.

Um sentimento de enorme respeito pelos nossos Pais apodera-se de nós como lapas e concluímos “Meu Deus, o que os nossos Pais fizeram por nós não tem preço, foi Amor do mais puro que há e estava tudo certo”. Em algum momento podiam ter decidido de melhor forma mas ninguém adivinha o futuro e foi certamente o que achavam melhor para nós naquele momento. E perdidos no pensamento confirmamos que nos tornamos nos nossos Pais com uma pitada própria de personalidade. E não havia nada de errado na forma como nos bloqueavam os mais estranhos desejos e interesses. É normal dos Pais.

Dedicado a todos os Pais e Avós deste planeta. O nosso muito obrigado!

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